24 abril 2015

Como falei para mamãe que queria ir embora


Já fazia quase um ano que pensava nesse outro projeto de vida. Morar fora do Brasil por um tempo.  Precisava de muita coragem e força para realizar. Apegada que sou a minha vida no Brasil, família, amigos e pessoas encontrei por meio da escrita, a maneira de contar para mamãe o que realmente queria da vida. Após quatro meses, com o visto em mãos, e há 10 dias de realizar um novo sonho partilho a cartinha que entreguei para mamãe no dia 24 de dezembro de 2014.


Mãe,


Preciso desabafar, porque estou em tempo de desabar. 
Gosto muito, muito do estilo de vida que levo. Como vivo em Fortaleza. Mas meu coração está pulsando, e junto com eles sonhos antigos também. Sei que para muitos é loucura, como cheguei a pensar também. E mesmo sendo é isso que quero seguir. Viver.
Preciso confessar, eu não vou mais e nem quero continuar morando no Brasil. Pelo menos, por enquanto. Por questões profissionais, e acima de tudo pessoais vou passar seis meses estudando inglês ( e trabalhando) na Austrália.

Eu pensei muito, e se continuar pensando muito eu não viajo. Porque tenho uma vida muito confortável, tenho uma família maravilhosa e amigos queridos que me devotam bastante. Muitos motivos para ficar. Mas confesso que meu coração, minhas vocações profissionais estão ardentemente desejando essa nova conquista: aprender e falar inglês fluente. Sério. Está me fazendo muita falta não ter esse idioma. Preciso dar um "up" na minha carreira. E algumas oportunidades me foram negadas por causa do idioma. Além da realização desse sonho. Caso não viaje ficarei frustrada.

Acho que mais cedo e mais tarde isso iria acontecer. E o melhor momento é este. Sou nova, ainda não sou casada, não tenho filhos, nem apartamento próprio. Tenho meu porto seguro que são pessoas e não meus bens que posso desfazer e conquistar novamente em outro momento.

Mãe, de verdade não sei como te falar isso. Mas eu quero voar, quero ir, viver. Vai ser bom pra mim. Pro meu crescimento. Por isso, decidi em janeiro entregar meu apartamento, vender meu carro, diminuir meu padrão de vida, morar num apartamento mais simples e começar a pagar meu intercâmbio. Posso está dando dois passos pra trás, mas serão dois mil km lá na frente.

Preciso dessa experiência. Preciso dessa vivência. Preciso ouvir meu coração.
E se nada der certo? Tenho certeza que vai dar. Em novembro estarei de volta, com inglês fluente, trabalhando num emprego melhor (concursada) e com muita coisa boa por aí. Que será lucro. 
Sabe a minha vida depois de pecorrer  29 anos chegou um momento que tenho dois caminhos. Um é o que estou. Que sei como é. Que é bom. Trabalho legal. Dinheiro legal. Vida legal. O outro caminho é esse que é desconhecido, mas que abre portas para o conhecimento. Pode ser uma experiência maravilhosa. E caso não seja (Deus me livre) o outro caminho continuará aqui. Porque tenho vocês e sei que posso confiar que os braços continuarão abertos.

Quando morei em Portugal, fui super feliz mãe. Quando voltei, fui mais feliz ainda do que quando morava antes de ir pra Lisboa. Quando fui pra Itália fui muito feliz também. Quando voltei de Itália, fiquei mais feliz ainda. Ou seja amo tb voltar pra casa. Sou uma cidadã do mundo, e uma ponte é apenas um caminho para a passagem.

Com carinho...Me diz o que tu acha! Preciso saber se me abençoa antes de tomar a decisão.

Te amo e obrigada por me ler.

E aqui estou eu. Vamos ver o que está por vir. Acredito no melhor.


0

Nenhum comentário:

Postar um comentário