27 julho 2015

Além do "the book is on the table", please!



Tenho um caderninho com meus objetivos e o primeiro é falar inglês fluente. E pra ontem. Cheguei sem saber falar nada e até o clichê “the book is on the table” era tão mal falado que parei na imigração. A Policial (super educada) me levou para uma sala e me fez várias perguntas em inglês. Ela quis saber sobre tudo da minha vida. O que fazia no Brasil, quantos irmãos tinha, pai e mãe. Inclusive, como eu tinha viajado para vários países sem saber falar inglês? Óbvio que não entendi uma palavra e passei uma hora conversando com ela, tentando explicar misturando português, espanhol e inglês que era uma pessoa do bem, não usava drogas (ela me perguntou dez vezes se eu usava – oi!) e estava ali justamente para não passar mais perrengues como esse e aprender o idioma mais falado do mundo.



Mal sabia que era o começo de vários perrengues que ia enfrentar nessa terrinha. Mas como levo sempre tudo de boa e com muita vontade de aprender, enxergo todas as dificuldades como parte do aprendizado. Uma amiga querida me perguntou qual a minha maior dificuldade aqui no intercambio. Pensei durante uns minutos e detectei. Não é saudade da família, nem dos amigos, nem da minha profissão. Não é trabalhar muitas horas por dias com algo que nunca imaginei trabalhar (duramente). Não é lidar com os momentos de solidão. Não é começar a vida do zero novamente. Minha maior dificuldade é o fato de querer me comunicar e não saber, não ser entendida e não entender o outro. Querer conversar (sim sou falante) e ter que entrar muda e sair calada em qualquer cenário não combina nem um pouco comigo.  

Foi aí que encontrei algumas estratégias para não sofrer tanto e atingir meus objetivos. Moro com brasileiros, trabalho com brasileiros e estudo com brasileiros. Não posso sair correndo deles (nem devo né, são uns amores), mas procuro me inserir de alguma forma na cultura australiana. As aulas de inglês na escola são de segunda a sexta com duração de 4h não é suficiente. Tem que fazer mais, além de ter que estudar em casa. É preciso praticar o que se aprende, então encontrei algumas resoluções: quase todos os dias entro em várias lojas para conversar com os vendedores. Procuro conversar com crianças, senhores e senhoras de idade quando vejo na rua. Assisto séries, filmes e documentários com áudio e legenda em inglês ajuda bastante. Escutar música é sensacional. Escrever cartinha para os amigos também é. Entrar nesses sites pra conversar em inglês também me ajuda. Ler meus escritores preferidos em inglês tem sido fantástico. E entro no youtube toda vez que a teacher da uma matéria nova. O resultado tem sido bom, mas ainda não como gostaria.
   

Mas fiz algo diferente essa semana e me deixou bastante animada, comecei a fazer um curso de inglês com senhoras nativas australianas que ensinam inglês uma vez por semana. O curso é gratuito, semanal, e ótimo para fazer amizade. Me deixou animada, porque realmente enquanto estamos fazendo as mesmas coisas obteremos os mesmos resultados. Sei que existe um tempo para tudo. Tem gente que aprendeu inglês depois de um ano, dois anos, três anos. Respeito o tempo de cada. Inclusive o meu. Se queremos resultados diferentes, temos que fazer diferente. Porque afinal, senão estou feliz com meu inglês (ou qualquer outra coisa na vida) tenho que melhorar e foi aí que mentalizei: muda que muda!


P.S – Esse post dedico aos meus amigos, primos, família do Brasil que ficam me pedindo áudio em inglês. É um mico só, mas com certeza me incentivam a melhorar cada dia.

Um comentário:

  1. Lindo, seu texto.
    Linda, você!
    Te amo com extremado amor, e peço a Deus que cuide de ti, hoje e sempre.
    Deus abençoe seus passos
    Te amo.

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