08 dezembro 2016

Let it be


Pode até soar triste, mas minhas desilusões amorosas sempre foram engraçadas. Meus amigos mais chegados que o diga. E aqui na Austrália não seria diferente. Depois de muito tentar encontrar o príncipe encontrei uma das minhas melhores procuras: amigos. Ele era diferente, seu cabelo mais estranho que de Adamastor Pitaco (quem é do Ceará vai entender), seria motivo dos meus amigos mangarem a vida inteira. Mesmo assim tive uma queda instantânea por essa pessoa. 

Ele era da Escócia, alto, bonito, tatuado, viajado, tinha uma profissão que amava e para fechar meus sonhos ainda era crente, homem de Deus.  Nosso encontro que me deixou com uma diarreia profunda me fez confundir que isso era borboletas no estômago, como há muito tempo não sentia.E um sinal que dessa vez daria certo. 

Tava tudo indo conforme no script. O beijo perfeito, o riso fácil, e a espera sempre do próximo encontro. Já estava imaginando o casamento na praia, a gente morando em Sydney nos dividindo entre a Europa e o Brasil, para piorar a ilusão as férias seria lá em Tauá por que pra quem viaja o mundo inteiro, exótico e diferente nada como o sertão o melhor lugar do mundo. Enfim tudo lindo e perfeito. Até que depois de um tempo juntos, marcamos um encontro na praia que até hoje o dito cujo não apareceu. Como era a primeira vez naquela praia, tentei ver o melhor ângulo da situaçã: pelo menos o opal estava free, e eu estava fazendo meditação numa praia linda. Foi maravilhoso. Até que de repente percebi que estava diante de um bolo, furo, vulgo pé na bunda. Veio um filme na minha cabeça. 

Encontrei uma amiga e ela me revelou que ele me adora, mas me acha muito quieta, ele gosta de mulheres mais doidas. Um amigo do Brasil me relembrou que já terminaram relacionamentos por que eu era simpática demais e não sabia se estava dando mole para outros homens; outro por que eu era doida e a mãe dele não gostava; outro por que eu era independente; outro por que eu não levava ninguém a sério. Anyway o motivo, mas esse aí dizer que eu sou tranquila demais esse caba aí me conhece mesmo. Louco é quem me acha louca. 

Ainda tentei fechar meus olhos para chorar, mas não saiu uma lágrima. Foi quando botei a cara no sol. Fui para um pub e assim que sentei na mesa um australiano apareceu todo afobado e disse: -Olha tô indo embora agora, mas esse é meu cartão se quiser beber um drink ligue pra mim. Achei engraçado e falei apenas obrigada. Quando fui no bar, tinha um homem de cinquenta anos, que parecia um cowboy, ele olhou pra mim e ofereceu drinks free. Tomamos duas rodadas de tequilas juntos. Ele foi embora, e eu fui conversar com minhas amigas. 

Depois voltei para mesa, fiz amizades com mais dois australianos que na hora que contei que estava triste, um me ofereceu um drink e o outro um casamento. Ele falou para não me preocupar que se eu quisesse morar na Austrália, casava comigo e dava tudo certo para ser uma cidadã australiana e poderia trabalhar na minha área. Sorri e disse que quando voltasse da Ásia em fevereiro o procuraria. Daí resultou numa amizade com direito a fotos na árvore de natal no coração da city, em Sydney, entrada num pub esquisito, e até brincadeira do verdade e mentira sobre relationship. Mas a noite não acabava por aí, quando estava na parada conheci um inglês que me presentou com um picolé e descobrimos que somos vizinhos e já marcamos de surfar próximo domingo. Ele conversou comigo sobre minha profissão aqui e prometeu me ajudar. Seu conselho o melhor: menina você mora em Manly, vá para praia com seu biquini brasileiro que no mesmo dia você arranja um namorado. Fácil assim. Gostei da dica. 

Percebi que na verdade eu não levei um pé na bunda, levei um empurrão para fazer novas amizades e me abrir mais ainda para as pessoas. Meu amigo do Brasil me confirmou isso quando falou: - pensei que estava acostumada com seus términos de namoro. Bicha namoradeira! Sorrimos e ele reforçou para mim: o bom de intercâmbio é isso permitir seu coração está em lugares com pessoas que você nunca imaginou e saber que tanto lá como aqui, tem pessoas que torcem e amam a gente verdadeiramente, isso não implica apenas na relação eros. Confirmei que tenho muita sorte no amor, mas para amizade tenho o dobro. Nessa hora sorri, agradeci e pensei: Let it be. Let it be. Let it be. Sou abençoada.


Com meu novo amigo australiano na árvore de Natal

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